Depois de uma campanha marcada por questionamentos sobre sua presença no segundo turno, o senador maranhense volta às redes para celebrar a vitória de Lula. Mas a derrota eleitoral não apagou as perguntas sobre sua atuação política nem a investigação da Polícia Federal.

Parece que o silêncio político acabou. Depois de perder a disputa pela reeleição ao Senado, Weverton Rocha (PDT-MA) voltou a aparecer nas redes sociais para parabenizar Lula pela vitória no segundo turno, inclusive, com uma foto ao lado do presidente.

O reaparecimento chama atenção pelo momento. Durante a reta final da eleição presidencial, a atuação pública do senador em defesa da candidatura petista foi alvo de críticas. Agora, com o resultado definido, a mensagem de felicitação veio acompanhada de uma imagem que fala por si no campo político: a proximidade com o presidente continua sendo exibida.

A pergunta que fica é inevitável: onde estava essa disposição política quando a disputa ainda estava em andamento? A derrota passou; as perguntas, não.

Weverton encerra sua tentativa de permanecer no Senado com uma derrota eleitoral que altera seu peso político no Maranhão. Para um parlamentar que ocupava o posto de vice-líder do governo Lula na Casa, o resultado também levanta questionamentos sobre sua capacidade de mobilização e sobre o espaço que terá na reorganização política após a eleição.

A fotografia com Lula pode ser interpretada como uma demonstração de alinhamento político. Mas, diante da derrota e das críticas sobre sua postura durante o segundo turno, também abre espaço para ironias: será que a proximidade com o presidente fica mais conveniente depois que as urnas já deram o veredito?

Mais: o caso do INSS segue no radar

Além da derrota eleitoral, Weverton Rocha é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes em descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Em agosto de 2026, uma nova fase da operação cumpriu mandados de busca e apreensão no Maranhão e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal. A investigação busca esclarecer suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras relacionadas ao esquema.

A Polícia Federal atribuiu ao senador possível participação em movimentações e articulações sob investigação. Weverton, por sua vez, afirmou que as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais declaradas à Receita Federal e negou irregularidades.

É importante destacar: investigação não equivale a condenação. Ainda assim, o caso acrescenta uma dimensão delicada ao cenário político do senador, que agora também precisa lidar com o resultado negativo nas urnas.

A foto com Lula

Na política, uma fotografia pode transmitir aliança, proximidade e intenção. Mas ela também pode despertar questionamentos, especialmente quando aparece depois de uma derrota e em meio a uma investigação de grande repercussão.

Weverton tem o direito de parabenizar Lula e manter suas alianças políticas. Os eleitores, por outro lado, têm o direito de questionar sua atuação, cobrar explicações e avaliar sua trajetória pública.

No fim das contas, a pergunta é simples: o reaparecimento de Weverton representa apenas uma felicitação ao presidente ou também uma tentativa de reafirmar sua proximidade com o poder depois da derrota nas urnas?

O senador pode ter perdido a eleição, mas o debate sobre sua atuação política e os desdobramentos da investigação do INSS continua aberto.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa presidencial de domingo (25), divulgou um vídeo nas redes sociais nesta segunda-feira (26) em que agradeceu aos eleitores, reafirmou compromissos com pautas de segurança e economia e questionou a condução do processo eleitoral. Na gravação, também relatou ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao agradecer aos apoiadores, Flávio destacou o carinho recebido durante a campanha e afirmou que a mobilização em diferentes cidades demonstrou o desejo de mudança de parte da população brasileira. O senador defendeu que temas como segurança pública e economia continuem no centro do debate nacional.

Questionamentos sobre a votação

Um dos principais pontos do pronunciamento foi a prorrogação do horário de votação. Flávio afirmou que o episódio precisa ser esclarecido e levantou questionamentos sobre o que ocorreu no período adicional. O resultado oficial, entretanto, confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que superou Flávio por mais de quatro milhões de votos.

Mesmo após a derrota, o senador afirmou que pretende contestar judicialmente a disputa e anunciou que pedirá a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin, sob alegações de abuso de poder político e econômico e disseminação de notícias falsas.

Intimação da Polícia Federal

No vídeo, Flávio também comentou a intimação para entregar os passaportes comum e diplomático, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o senador, a medida ocorreu após ele visitar o pai e foi motivada por uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, sobre a possibilidade de deixar o país caso perdesse a eleição.

Flávio negou que estivesse planejando sair do Brasil e afirmou que pretende entregar os documentos e se defender da decisão judicial.

Oposição e próximos passos

Ao final do pronunciamento, Flávio defendeu a reorganização da oposição no Congresso Nacional, com a atuação conjunta de senadores e deputados. A proposta, segundo o senador, é manter a mobilização política e continuar defendendo as pautas apresentadas durante a campanha.

Apesar da derrota eleitoral, ele afirmou que não pretende desistir do Brasil e convocou seus apoiadores a permanecerem mobilizados.

O vídeo marca o posicionamento público de Flávio após o resultado das urnas, reunindo críticas à condução do processo eleitoral, questionamentos sobre decisões judiciais e a sinalização de que pretende manter protagonismo na oposição ao governo Lula.

Portarias publicadas no Diário Oficial designam comissão e núcleo central; órgãos estaduais terão até dez dias para disponibilizar documentos e informações

O Governo do Maranhão oficializou a composição da Comissão de Transição Republicana de Governo e designou os integrantes do Núcleo Central de Transição. As medidas foram publicadas no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (15), por meio das Portarias nº 2.307 e nº 2.308, assinadas pelo secretário-chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira.

A estrutura foi criada para permitir que o governador eleito conheça o funcionamento dos órgãos e entidades da administração pública estadual e prepare os atos necessários ao início da nova gestão.

Comissão terá seis integrantes

De acordo com a Portaria nº 2.307, a Comissão de Transição Republicana será coordenada por Anna Caroline Marques Pinheiro Salgado. Também integram o grupo Simão Cirineu, José de Jesus Azzolini, David Col Debella, Silvana Carla Costa dos Santos e Manuella Oliveira Fernandes.

A coordenadora poderá requisitar informações aos órgãos e entidades da administração pública estadual para subsidiar os trabalhos da comissão.

A portaria estabelece que os integrantes não receberão remuneração pelo exercício das funções e deverão manter sigilo sobre dados e informações confidenciais aos quais tiverem acesso durante o processo.

Núcleo central reúne titulares de secretarias e órgãos estaduais

A Portaria nº 2.308 designa os integrantes do Núcleo Central de Transição, responsável por atuar na organização administrativa do processo.

Fazem parte do núcleo:

  • Luis Fernando Moura da Silva, secretário-chefe da Secretaria Geral da Governadoria do Estado;
  • Aline Ribeiro Duailibe Barros, secretária de Estado do Planejamento e Orçamento;
  • Pedro Carvalho Chagas, secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais;
  • Aparício Bandeira Filho, secretário de Estado da Infraestrutura;
  • Jandira Dias Araújo Silva, secretária de Estado da Educação;
  • Liliane Neves Carvalho, secretária de Estado da Saúde;
  • Jeonys Caldas Carvalho Aguiar, secretário de Estado de Governo;
  • Marcellus Ribeiro Alves, secretário de Estado da Fazenda;
  • Guilberth Marinho Garcês, secretário de Estado da Administração;
  • Denilson Souza dos Reis Almeida, procurador-geral do Estado;
  • Alberto Pessoa Bastos, secretário de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano;
  • Raul Cancian Mochel, secretário de Estado de Transparência e Controle.

Órgãos terão prazo para entregar informações

A Secretaria Geral da Governadoria ficará responsável pela coordenação administrativa das providências do governo em exercício e pela interlocução central com a Comissão de Transição Republicana.

Conforme as portarias, os órgãos e entidades estaduais deverão disponibilizar à Secretaria Geral da Governadoria, no prazo máximo de dez dias a partir da constituição da comissão, os documentos e as informações previstos na legislação estadual.

Caberá à secretaria consolidar o material recebido e entregá-lo à comissão mediante termo de entrega e recebimento.

A medida formaliza a estrutura administrativa que dará suporte à transição entre a gestão em exercício e o governo eleito, com definição dos responsáveis pela interlocução, coleta de informações e organização dos trabalhos.

Deputada não conseguiu a reeleição no Maranhão, mas ultrapassou 13 mil votos em São Luís, onde construiu uma votação expressiva com apoio de lideranças comunitárias ligadas ao vereador

A eleição de 2026 deixou um dado que chama a atenção no cenário político de São Luís: mesmo sem conquistar a reeleição para a Assembleia Legislativa do Maranhão, a deputada estadual, Ana do Gás ampliou sua presença eleitoral na capital e alcançou 13.323 votos no município. O resultado reforça a importância das articulações locais e coloca em evidência a atuação do vereador Astro de Ogum junto a comunidades e lideranças da cidade.

No estado, Ana do Gás contabilizou 20.096 votos e terminou a disputa na condição de suplente. Em São Luís, porém, concentrou aproximadamente dois terços de toda a votação recebida, segundo os dados da apuração eleitoral.

A força que nasce nos bairros

A votação da deputada na capital chama atenção para uma característica da política municipal: a construção de vínculos que não se limita ao período oficial de campanha. Nos bairros, comunidades e localidades da zona rural, a presença de lideranças, o diálogo com moradores e a articulação de demandas cotidianas podem ter papel relevante na formação de uma base eleitoral.

Nesse cenário, Astro de Ogum se apresenta como uma das referências políticas associadas à articulação de Ana do Gás em São Luís. A parceria reuniu a deputada e lideranças comunitárias em agendas de mobilização e aproximação com a população da Grande Ilha.

A atuação territorial do vereador ajuda a explicar por que a capital se tornou o principal reduto eleitoral da deputada nesta disputa. Embora o resultado não permita atribuir individualmente cada voto a um apoiador, a votação expressiva em São Luís evidencia a relevância política da rede local construída durante a campanha.

Uma votação expressiva, apesar do resultado estadual

O desempenho de Ana do Gás em São Luís contrasta com o resultado obtido no conjunto do Maranhão. Os 13.323 votos registrados na capital representaram 66,3% de sua votação estadual, enquanto os demais votos foram distribuídos entre outros municípios.

Mais do que o resultado individual de uma candidatura, a votação abre espaço para observar a influência das articulações comunitárias na política ludovicense, especialmente em regiões onde a relação entre representantes, lideranças e moradores se constrói ao longo do tempo.

Para Astro de Ogum, o desempenho de Ana do Gás na capital oferece um indicador concreto da presença eleitoral da aliança na cidade. Para a deputada, o resultado deixa uma base expressiva em São Luís, mesmo diante da ausência de reeleição no estado.

Na política, os números finais definem quem conquista uma vaga. Mas a distribuição dos votos também ajuda a revelar onde estão as bases, quais articulações tiveram expressão eleitoral e como as lideranças locais participam da construção de uma candidatura.

O ex-secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, teria passado mal nesta terça-feira (13) e sido encaminhado a uma unidade hospitalar.

Informações divulgadas inicialmente apontam para um possível acidente vascular cerebral (AVC), mas, até o momento, não foi possível confirmar o diagnóstico por meio de uma fonte médica ou comunicado oficial.

Cutrim cumpre prisão domiciliar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão tomada em julho de 2026 pelo ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, foi determinado seu afastamento da Secretaria de Assuntos Legislativos do governo estadual. Posteriormente, o governador Carlos Brandão oficializou sua exoneração.

Investigação no STF

A medida judicial foi adotada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de coação e obstrução da Justiça em um caso relacionado ao assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em São Luís, em 2022. O processo tramita sob sigilo.

Em 28 de setembro, o plenário virtual do STF manteve, por unanimidade, a prisão domiciliar de Cutrim ao analisar recurso apresentado pela defesa.

Quem é Raimundo Cutrim

Delegado aposentado da Polícia Federal e ex-deputado estadual, Cutrim comandou a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão em diferentes períodos. Em janeiro de 2025, assumiu a Secretaria Extraordinária de Assuntos Legislativos, cargo do qual foi afastado por determinação judicial e posteriormente exonerado.

Até que haja confirmação por fonte oficial ou médica, permanecem pendentes informações sobre o diagnóstico, o hospital para o qual teria sido encaminhado e seu estado de saúde.

Há resultados eleitorais que simplesmente registram uma votação. E há resultados que dizem alguma coisa sobre o estado de espírito de um país

O primeiro turno deixou um recado que o PT não pode fingir que não ouviu. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somou 56.104.268 votos (47,03% dos válidos), contra 53.876.617 (45,16%) de Lula. Foram 2.227.651 votos de diferença. Flávio terminou na frente; a eleição, porém, continua aberta e será decidida no segundo turno.

Para o PT, o resultado é um alerta. Lula chegou à segunda rodada atrás do adversário, e a campanha não pode responder a isso apenas dividindo o país entre “nós” e “eles”. Há muita gente dizendo, nas urnas, que quer mudança.

Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em 15 estados e no Distrito Federal. Venceu em todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ainda levou Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins. Lula venceu nos nove estados do Nordeste, além de Amazonas, Amapá e Pará. 

A pergunta que eu faço é: é um Brasil dividido ou um Brasil lutando por transformação?

E talvez a pergunta mais incômoda desta eleição seja justamente esta: por que uma parte tão expressiva do país decidiu dizer não ao projeto petista? Porque a maior parte do país decidiu que quer que o governo mude de lado?

A questão que as pessoas não entendem e querem se digladiar por isso é que não se trata apenas de direita contra esquerda; não se trata apenas de uma disputa de sobrenomes. Existe um desgaste. Existe uma parcela do eleitorado que olha para a história do PT, para os escândalos de corrupção que marcaram governos petistas, para as ideologias, para os discursos, para as investigações da Lava Jato, para as condenações posteriormente anuladas por questões processuais e de competência, para a polarização política e para o ambiente institucional dos últimos anos e conclui: não quero mais isso.

E quer saber, eu faço parte dessa parcela. Sou contra todas essas mazelas que o atual governo carrega e faz o país refém disso. Eu defendo que o país tenha coragem de virar essa página.

Não se trata de apagar a história do partido. Trata-se de questionar o que ele representa depois de tantos anos no poder, dos grandes escândalos de corrupção que marcaram sua trajetória e de uma política que, na minha avaliação, mantém o brasileiro dependente de um Estado que deveria estar criando oportunidades para que as pessoas pudessem caminhar com as próprias pernas.

Nordeste

E o Nordeste continua sendo o grande reduto eleitoral de Lula. No Maranhão, o resultado chama ainda mais atenção: um dos estados mais pobres do país continua entregando uma votação expressiva ao PT.

A pergunta, portanto, não deveria ser se o maranhense é pobre ou pouco escolarizado. A pergunta é outra: depois de tantos anos de governos e políticas públicas, por que a pobreza estrutural continua tão presente?

O que ainda prende o eleitor ao PT? Memória dos governos Lula? Programas sociais? Identificação ideológica? Rejeição ao bolsonarismo?

E há ainda outra questão: até onde pode ir o poder das instituições?

Criticar decisões do STF não é defender ruptura democrática; é defender o direito de questionar uma instituição que, nos últimos anos, passou a ocupar um espaço cada vez maior no debate político, na liberdade de expressão e na própria vida pública brasileira.
Nenhum partido, nenhum presidente e nenhuma instituição deve estar acima da crítica.

No fim das contas, o que está em jogo neste segundo turno é muito maior do que a disputa entre dois nomes. É a escolha sobre qual projeto de país queremos para os próximos anos. De um lado, a continuidade de um modelo político que carrega uma longa sombra de escândalos, dependência do Estado e concentração de poder; do outro, a possibilidade de abrir um novo capítulo.

As urnas já mostraram que existe um Brasil disposto a mudar. E, se esse novo capítulo não der certo, daqui a quatro anos mudamos novamente, porque assim como a vida, a política, também, é dinâmica e é feita de tentativas e construções. Quem veio antes de nós tentou, nós também tentamos e estamos construindo. Temos o direito de escolher, avaliar e mudar de direção, afinal, o poder não pertence a partido nenhum; O poder está nas nossas mãos. Está em nós. Está conosco!

Carregando, aguarde!
  • Mônica

    Mônica Alves

    O blog Mônica Alves é um veículo de comunicação virtual, que vai informar, sugerir e analisar assuntos políticos, bastidores e comportamentos variados do estado do Maranhão e do Brasil.

    Ao criar essa página, quero contribuir e levantar questionamentos subjetivos dos mais simples aos que ganham grandes espaços de notoriedade, além de dar espaço à boas histórias, com personagens e lugares que serão (re) descobertos por meio de relatos em viagens, festividades culturais e visitas etnográficas, mas que nem sempre têm a oportunidade do destaque merecido.