Há resultados eleitorais que simplesmente registram uma votação. E há resultados que dizem alguma coisa sobre o estado de espírito de um país

O primeiro turno deixou um recado que o PT não pode fingir que não ouviu. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somou 56.104.268 votos (47,03% dos válidos), contra 53.876.617 (45,16%) de Lula. Foram 2.227.651 votos de diferença. Flávio terminou na frente; a eleição, porém, continua aberta e será decidida no segundo turno.

Para o PT, o resultado é um alerta. Lula chegou à segunda rodada atrás do adversário, e a campanha não pode responder a isso apenas dividindo o país entre “nós” e “eles”. Há muita gente dizendo, nas urnas, que quer mudança.

Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em 15 estados e no Distrito Federal. Venceu em todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ainda levou Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins. Lula venceu nos nove estados do Nordeste, além de Amazonas, Amapá e Pará. 

A pergunta que eu faço é: é um Brasil dividido ou um Brasil lutando por transformação?

E talvez a pergunta mais incômoda desta eleição seja justamente esta: por que uma parte tão expressiva do país decidiu dizer não ao projeto petista? Porque a maior parte do país decidiu que quer que o governo mude de lado?

A questão que as pessoas não entendem e querem se digladiar por isso é que não se trata apenas de direita contra esquerda; não se trata apenas de uma disputa de sobrenomes. Existe um desgaste. Existe uma parcela do eleitorado que olha para a história do PT, para os escândalos de corrupção que marcaram governos petistas, para as ideologias, para os discursos, para as investigações da Lava Jato, para as condenações posteriormente anuladas por questões processuais e de competência, para a polarização política e para o ambiente institucional dos últimos anos e conclui: não quero mais isso.

E quer saber, eu faço parte dessa parcela. Sou contra todas essas mazelas que o atual governo carrega e faz o país refém disso. Eu defendo que o país tenha coragem de virar essa página.

Não se trata de apagar a história do partido. Trata-se de questionar o que ele representa depois de tantos anos no poder, dos grandes escândalos de corrupção que marcaram sua trajetória e de uma política que, na minha avaliação, mantém o brasileiro dependente de um Estado que deveria estar criando oportunidades para que as pessoas pudessem caminhar com as próprias pernas.

Nordeste

E o Nordeste continua sendo o grande reduto eleitoral de Lula. No Maranhão, o resultado chama ainda mais atenção: um dos estados mais pobres do país continua entregando uma votação expressiva ao PT.

A pergunta, portanto, não deveria ser se o maranhense é pobre ou pouco escolarizado. A pergunta é outra: depois de tantos anos de governos e políticas públicas, por que a pobreza estrutural continua tão presente?

O que ainda prende o eleitor ao PT? Memória dos governos Lula? Programas sociais? Identificação ideológica? Rejeição ao bolsonarismo?

E há ainda outra questão: até onde pode ir o poder das instituições?

Criticar decisões do STF não é defender ruptura democrática; é defender o direito de questionar uma instituição que, nos últimos anos, passou a ocupar um espaço cada vez maior no debate político, na liberdade de expressão e na própria vida pública brasileira.
Nenhum partido, nenhum presidente e nenhuma instituição deve estar acima da crítica.

No fim das contas, o que está em jogo neste segundo turno é muito maior do que a disputa entre dois nomes. É a escolha sobre qual projeto de país queremos para os próximos anos. De um lado, a continuidade de um modelo político que carrega uma longa sombra de escândalos, dependência do Estado e concentração de poder; do outro, a possibilidade de abrir um novo capítulo.

As urnas já mostraram que existe um Brasil disposto a mudar. E, se esse novo capítulo não der certo, daqui a quatro anos mudamos novamente, porque assim como a vida, a política, também, é dinâmica e é feita de tentativas e construções. Quem veio antes de nós tentou, nós também tentamos e estamos construindo. Temos o direito de escolher, avaliar e mudar de direção, afinal, o poder não pertence a partido nenhum; O poder está nas nossas mãos. Está em nós. Está conosco!

Eleitos senadores pela mesma coligação no Maranhão, os dois caminharam juntos no primeiro turno. No segundo, a parceria eleitoral não deve se repetir quando o assunto é a Presidência

André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo) foram eleitos senadores pelo Maranhão neste domingo (4), na mesma coligação que apoiou Eduardo Braide (PSD), eleito governador. Mas, quando a conversa deixa o palanque estadual e chega à disputa presidencial, os dois devem seguir por caminhos diferentes.

Fufuca, que foi ministro do Esporte no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que deve apoiar o presidente, candidato à reeleição. Lahesio, por sua vez, declarou em entrevista à Mirante News, nesta segunda-feira (5), que deve apoiar Flávio Bolsonaro (PL).

A campanha os reuniu sob o mesmo arranjo político e em torno da candidatura de Braide. Agora, porém, a aliança mostra seus limites: no Maranhão, estiveram do mesmo lado; na disputa pelo Planalto, cada um deve puxar para um canto.

Não chega a ser uma surpresa; as diferenças ideológicas entre os dois não começaram depois da eleição: a parceria que serviu ao palanque estadual não significa compromisso comum quando o tema é a Presidência. Eleitos juntos, Fufuca e Lahesio devem começar o mandato com apoios presidenciais distintos: Lula de um lado, Flávio do outro.

Eleita pelo MDB na 11ª colocação estadual, advogada superou nomes tradicionais na votação e amplia a presença política do grupo na região Central

A agora deputada estadual, Bruna Pessoa, ao lado do irmão, Fernando Pessoa, prefeito de Tuntum

A força política de Tuntum ganhou novo espaço na Assembleia Legislativa do Maranhão. Bruna Pessoa (MDB) foi eleita deputada estadual com 73.125 votos, a 11ª maior votação do estado, em uma estreia que coloca o grupo liderado pelo prefeito Fernando Pessoa em evidência para além dos limites do município.

Advogada, Bruna disputou a eleição com o apoio do irmão e terminou à frente de candidaturas experientes e com presença consolidada na política maranhense. Recebeu mais votos que João Igor Carvalho, que somou 69.440; Daniella, com 66.040; e Abigail Cunha, com 65.720.

O resultado reforça a influência de Fernando Pessoa na região Central e marca a chegada de um novo nome ligado ao grupo de Tuntum ao Legislativo estadual. Com 73 mil votos, Bruna não apenas conquistou uma cadeira: começa o mandato com uma votação expressiva e a expectativa de transformar esse apoio em atuação pela população maranhense.

Eleito pelo MDB, advogado e ex-secretário de Saúde agradeceu aos eleitores e reafirmou o compromisso de “cuidar” do Maranhão.

O dono dos mais de 66 mil votos 

Uma promessa feita durante a campanha começou a ganhar forma neste domingo (4). Tiago Fernandes foi eleito deputado estadual pelo MDB, com 66.500 votos, e está entre os 42 parlamentares que vão compor a Assembleia Legislativa do Maranhão a partir de 2027.

Advogado e ex-secretário de Estado da Saúde, Tiago celebrou o resultado nas redes sociais. Na mensagem, agradeceu aos eleitores e às pessoas que caminharam com ele durante a campanha.

“Eu disse que não chegaria sozinho à Assembleia Legislativa. E hoje, graças a Deus e à confiança de vocês, essa promessa começa a se cumprir!”

O deputado eleito também falou sobre o que pretende fazer com a confiança recebida: transformá-la em trabalho pelo estado.

“Vocês me deram a confiança. Agora, é minha vez de retribuir com ainda mais trabalho pelo Maranhão!”

Ao encerrar a mensagem, resumiu em poucas palavras o compromisso que marcou sua trajetória profissional e que agora acompanha sua chegada à vida parlamentar: “Cuidar é compromisso. E o nosso continua!”

A campanha terminou. A partir de 2027, começa uma nova etapa e será no trabalho pela população que essa promessa seguirá sendo acompanhada.

Tem coisa que acontece no Brasil que a gente lê, relê e ainda custa acreditar.

Nesta quinta-feira, 1º de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o retorno imediato de Paulo Curió ao comando da Prefeitura de Turilândia.

Curió estava afastado do cargo desde dezembro de 2025, no contexto das investigações da Operação Tântalo. O Ministério Público do Maranhão ofereceu denúncia contra ele e outros investigados, apurando suspeitas que envolvem, entre outros crimes, organização criminosa, fraude em licitações, corrupção, peculato e lavagem de capitais. A denúncia foi apresentada em janeiro deste ano.

Agora, por decisão de Moraes, ele volta. E é justamente aí que começa a discussão que não pode ser calada.

A decisão do ministro sustenta que o afastamento já ultrapassava nove meses e que as razões que justificaram originalmente a medida cautelar precisavam ser reavaliadas diante da evolução da investigação. Moraes considerou excessivo manter a suspensão do exercício do mandato por tanto tempo e determinou o retorno do prefeito.

É uma decisão judicial. E decisão judicial se cumpre. Mas cumprir uma decisão não significa que a sociedade esteja proibida de questionar os efeitos dela; porque estamos falando de uma prefeitura. Estamos falando de uma cidade inteira.

Estamos falando de dinheiro público, contratos públicos, servidores públicos e de uma população que tem o direito de perguntar que mensagem está sendo transmitida quando alguém alvo de uma investigação dessa dimensão retorna ao comando do município antes mesmo de a denúncia ter sido analisada pelo tribunal de origem.

As cautelares não desapareceram

Paulo Curió continuará usando tornozeleira eletrônica, está proibido de manter contato com corréus, investigados e testemunhas e também não poderá contratar ou realizar determinadas transações administrativas com empresas citadas na investigação. Juridicamente a investigação continua, mas, administrativamente, o prefeito volta a sentar na cadeira de prefeito. E é claro, é isso que ele vinha sonhando há 9 meses; até porque é a única coisa que sempre interessou foi “a chave”.

Houve prisão preventiva. Houve afastamento. Houve uma investigação de grande proporção. Houve denúncia do Ministério Público. E houve uma série de medidas cautelares que continuam vigentes, mas, agora, mesmo assim, diante de tudo isso, ele recebe o presente de voltar ao ocupar o cargo de chefe do município.

No fim das contas, o que fica é a imagem de um país em que as instituições parecem cada vez mais bizarras, decisões cada vez mais difíceis de explicar e uma inversão de valores que assusta. O errado virou certo, o absurdo virou rotina e o cidadão parece ter sido condenado a assistir a tudo calado.

O vereador Beto Castro (Avante) foi eleito, nesta quinta-feira (1º), presidente da Câmara Municipal de São Luís para o biênio 2027-2028. A votação ocorreu durante sessão extraordinária e teve chapa única.

Encabeçando a chapa “Gael – Coração Valente”, Beto Castro recebeu 21 votos dos 31 vereadores que compõem a Casa. Os outros dez parlamentares não participaram da sessão. O grupo apoiava a candidatura de Marquinhos Silva (União), que não chegou a registrar chapa, e questionava na Justiça o processo eleitoral.

A eleição ocorreu após uma disputa judicial em torno da realização do pleito. Decisões do Tribunal de Justiça do Maranhão mantiveram a votação para esta quinta-feira. Durante a sessão, o atual presidente da Casa, Paulo Victor, conduziu os trabalhos e apresentou as regras da eleição.

Com o resultado, Beto Castro sucederá Paulo Victor na presidência do Legislativo Municipal e assumirá oficialmente o comando da Câmara a partir de janeiro de 2027.

Nova Mesa Diretora

Além da presidência, a eleição definiu os demais integrantes da Mesa Diretora para o próximo biênio:

  • Presidente: Beto Castro
  • 1º vice-presidente: Thyago Freitas
  • 2º vice-presidente: Octávio Soeiro
  • 3º vice-presidente: Daniel Oliveira
  • 1ª secretária: Raimundo Penha
  • 2ª secretária: Coletivo Nós
  • 3º secretário: Edson Gaguinho
  • 4ª secretária: Rosana da Saúde
  • 5º secretário: Raimundo Júnior

A nova Mesa Diretora ficará responsável pela condução dos trabalhos legislativos e pela administração da Câmara Municipal durante o biênio 2027-2028.

Após a eleição, Beto Castro afirmou que pretende conduzir a Casa sem perseguições aos vereadores que não apoiaram sua chapa e também criticou o que classificou como interferências externas no processo.

A eleição encerra uma disputa que movimentou os bastidores da Câmara de São Luís e também foi parar na Justiça. A partir de janeiro, Beto Castro terá pela frente o desafio de conduzir o Legislativo municipal durante os próximos dois anos.

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  • Mônica

    Mônica Alves

    O blog Mônica Alves é um veículo de comunicação virtual, que vai informar, sugerir e analisar assuntos políticos, bastidores e comportamentos variados do estado do Maranhão e do Brasil.

    Ao criar essa página, quero contribuir e levantar questionamentos subjetivos dos mais simples aos que ganham grandes espaços de notoriedade, além de dar espaço à boas histórias, com personagens e lugares que serão (re) descobertos por meio de relatos em viagens, festividades culturais e visitas etnográficas, mas que nem sempre têm a oportunidade do destaque merecido.