Deputada não conseguiu a reeleição no Maranhão, mas ultrapassou 13 mil votos em São Luís, onde construiu uma votação expressiva com apoio de lideranças comunitárias ligadas ao vereador

A eleição de 2026 deixou um dado que chama a atenção no cenário político de São Luís: mesmo sem conquistar a reeleição para a Assembleia Legislativa do Maranhão, a deputada estadual, Ana do Gás ampliou sua presença eleitoral na capital e alcançou 13.323 votos no município. O resultado reforça a importância das articulações locais e coloca em evidência a atuação do vereador Astro de Ogum junto a comunidades e lideranças da cidade.

No estado, Ana do Gás contabilizou 20.096 votos e terminou a disputa na condição de suplente. Em São Luís, porém, concentrou aproximadamente dois terços de toda a votação recebida, segundo os dados da apuração eleitoral.

A força que nasce nos bairros

A votação da deputada na capital chama atenção para uma característica da política municipal: a construção de vínculos que não se limita ao período oficial de campanha. Nos bairros, comunidades e localidades da zona rural, a presença de lideranças, o diálogo com moradores e a articulação de demandas cotidianas podem ter papel relevante na formação de uma base eleitoral.

Nesse cenário, Astro de Ogum se apresenta como uma das referências políticas associadas à articulação de Ana do Gás em São Luís. A parceria reuniu a deputada e lideranças comunitárias em agendas de mobilização e aproximação com a população da Grande Ilha.

A atuação territorial do vereador ajuda a explicar por que a capital se tornou o principal reduto eleitoral da deputada nesta disputa. Embora o resultado não permita atribuir individualmente cada voto a um apoiador, a votação expressiva em São Luís evidencia a relevância política da rede local construída durante a campanha.

Uma votação expressiva, apesar do resultado estadual

O desempenho de Ana do Gás em São Luís contrasta com o resultado obtido no conjunto do Maranhão. Os 13.323 votos registrados na capital representaram 66,3% de sua votação estadual, enquanto os demais votos foram distribuídos entre outros municípios.

Mais do que o resultado individual de uma candidatura, a votação abre espaço para observar a influência das articulações comunitárias na política ludovicense, especialmente em regiões onde a relação entre representantes, lideranças e moradores se constrói ao longo do tempo.

Para Astro de Ogum, o desempenho de Ana do Gás na capital oferece um indicador concreto da presença eleitoral da aliança na cidade. Para a deputada, o resultado deixa uma base expressiva em São Luís, mesmo diante da ausência de reeleição no estado.

Na política, os números finais definem quem conquista uma vaga. Mas a distribuição dos votos também ajuda a revelar onde estão as bases, quais articulações tiveram expressão eleitoral e como as lideranças locais participam da construção de uma candidatura.

O ex-secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, teria passado mal nesta terça-feira (13) e sido encaminhado a uma unidade hospitalar.

Informações divulgadas inicialmente apontam para um possível acidente vascular cerebral (AVC), mas, até o momento, não foi possível confirmar o diagnóstico por meio de uma fonte médica ou comunicado oficial.

Cutrim cumpre prisão domiciliar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão tomada em julho de 2026 pelo ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, foi determinado seu afastamento da Secretaria de Assuntos Legislativos do governo estadual. Posteriormente, o governador Carlos Brandão oficializou sua exoneração.

Investigação no STF

A medida judicial foi adotada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de coação e obstrução da Justiça em um caso relacionado ao assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em São Luís, em 2022. O processo tramita sob sigilo.

Em 28 de setembro, o plenário virtual do STF manteve, por unanimidade, a prisão domiciliar de Cutrim ao analisar recurso apresentado pela defesa.

Quem é Raimundo Cutrim

Delegado aposentado da Polícia Federal e ex-deputado estadual, Cutrim comandou a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão em diferentes períodos. Em janeiro de 2025, assumiu a Secretaria Extraordinária de Assuntos Legislativos, cargo do qual foi afastado por determinação judicial e posteriormente exonerado.

Até que haja confirmação por fonte oficial ou médica, permanecem pendentes informações sobre o diagnóstico, o hospital para o qual teria sido encaminhado e seu estado de saúde.

Há resultados eleitorais que simplesmente registram uma votação. E há resultados que dizem alguma coisa sobre o estado de espírito de um país

O primeiro turno deixou um recado que o PT não pode fingir que não ouviu. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somou 56.104.268 votos (47,03% dos válidos), contra 53.876.617 (45,16%) de Lula. Foram 2.227.651 votos de diferença. Flávio terminou na frente; a eleição, porém, continua aberta e será decidida no segundo turno.

Para o PT, o resultado é um alerta. Lula chegou à segunda rodada atrás do adversário, e a campanha não pode responder a isso apenas dividindo o país entre “nós” e “eles”. Há muita gente dizendo, nas urnas, que quer mudança.

Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em 15 estados e no Distrito Federal. Venceu em todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ainda levou Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins. Lula venceu nos nove estados do Nordeste, além de Amazonas, Amapá e Pará. 

A pergunta que eu faço é: é um Brasil dividido ou um Brasil lutando por transformação?

E talvez a pergunta mais incômoda desta eleição seja justamente esta: por que uma parte tão expressiva do país decidiu dizer não ao projeto petista? Porque a maior parte do país decidiu que quer que o governo mude de lado?

A questão que as pessoas não entendem e querem se digladiar por isso é que não se trata apenas de direita contra esquerda; não se trata apenas de uma disputa de sobrenomes. Existe um desgaste. Existe uma parcela do eleitorado que olha para a história do PT, para os escândalos de corrupção que marcaram governos petistas, para as ideologias, para os discursos, para as investigações da Lava Jato, para as condenações posteriormente anuladas por questões processuais e de competência, para a polarização política e para o ambiente institucional dos últimos anos e conclui: não quero mais isso.

E quer saber, eu faço parte dessa parcela. Sou contra todas essas mazelas que o atual governo carrega e faz o país refém disso. Eu defendo que o país tenha coragem de virar essa página.

Não se trata de apagar a história do partido. Trata-se de questionar o que ele representa depois de tantos anos no poder, dos grandes escândalos de corrupção que marcaram sua trajetória e de uma política que, na minha avaliação, mantém o brasileiro dependente de um Estado que deveria estar criando oportunidades para que as pessoas pudessem caminhar com as próprias pernas.

Nordeste

E o Nordeste continua sendo o grande reduto eleitoral de Lula. No Maranhão, o resultado chama ainda mais atenção: um dos estados mais pobres do país continua entregando uma votação expressiva ao PT.

A pergunta, portanto, não deveria ser se o maranhense é pobre ou pouco escolarizado. A pergunta é outra: depois de tantos anos de governos e políticas públicas, por que a pobreza estrutural continua tão presente?

O que ainda prende o eleitor ao PT? Memória dos governos Lula? Programas sociais? Identificação ideológica? Rejeição ao bolsonarismo?

E há ainda outra questão: até onde pode ir o poder das instituições?

Criticar decisões do STF não é defender ruptura democrática; é defender o direito de questionar uma instituição que, nos últimos anos, passou a ocupar um espaço cada vez maior no debate político, na liberdade de expressão e na própria vida pública brasileira.
Nenhum partido, nenhum presidente e nenhuma instituição deve estar acima da crítica.

No fim das contas, o que está em jogo neste segundo turno é muito maior do que a disputa entre dois nomes. É a escolha sobre qual projeto de país queremos para os próximos anos. De um lado, a continuidade de um modelo político que carrega uma longa sombra de escândalos, dependência do Estado e concentração de poder; do outro, a possibilidade de abrir um novo capítulo.

As urnas já mostraram que existe um Brasil disposto a mudar. E, se esse novo capítulo não der certo, daqui a quatro anos mudamos novamente, porque assim como a vida, a política, também, é dinâmica e é feita de tentativas e construções. Quem veio antes de nós tentou, nós também tentamos e estamos construindo. Temos o direito de escolher, avaliar e mudar de direção, afinal, o poder não pertence a partido nenhum; O poder está nas nossas mãos. Está em nós. Está conosco!

Eleitos senadores pela mesma coligação no Maranhão, os dois caminharam juntos no primeiro turno. No segundo, a parceria eleitoral não deve se repetir quando o assunto é a Presidência

André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo) foram eleitos senadores pelo Maranhão neste domingo (4), na mesma coligação que apoiou Eduardo Braide (PSD), eleito governador. Mas, quando a conversa deixa o palanque estadual e chega à disputa presidencial, os dois devem seguir por caminhos diferentes.

Fufuca, que foi ministro do Esporte no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que deve apoiar o presidente, candidato à reeleição. Lahesio, por sua vez, declarou em entrevista à Mirante News, nesta segunda-feira (5), que deve apoiar Flávio Bolsonaro (PL).

A campanha os reuniu sob o mesmo arranjo político e em torno da candidatura de Braide. Agora, porém, a aliança mostra seus limites: no Maranhão, estiveram do mesmo lado; na disputa pelo Planalto, cada um deve puxar para um canto.

Não chega a ser uma surpresa; as diferenças ideológicas entre os dois não começaram depois da eleição: a parceria que serviu ao palanque estadual não significa compromisso comum quando o tema é a Presidência. Eleitos juntos, Fufuca e Lahesio devem começar o mandato com apoios presidenciais distintos: Lula de um lado, Flávio do outro.

Eleita pelo MDB na 11ª colocação estadual, advogada superou nomes tradicionais na votação e amplia a presença política do grupo na região Central

A agora deputada estadual, Bruna Pessoa, ao lado do irmão, Fernando Pessoa, prefeito de Tuntum

A força política de Tuntum ganhou novo espaço na Assembleia Legislativa do Maranhão. Bruna Pessoa (MDB) foi eleita deputada estadual com 73.125 votos, a 11ª maior votação do estado, em uma estreia que coloca o grupo liderado pelo prefeito Fernando Pessoa em evidência para além dos limites do município.

Advogada, Bruna disputou a eleição com o apoio do irmão e terminou à frente de candidaturas experientes e com presença consolidada na política maranhense. Recebeu mais votos que João Igor Carvalho, que somou 69.440; Daniella, com 66.040; e Abigail Cunha, com 65.720.

O resultado reforça a influência de Fernando Pessoa na região Central e marca a chegada de um novo nome ligado ao grupo de Tuntum ao Legislativo estadual. Com 73 mil votos, Bruna não apenas conquistou uma cadeira: começa o mandato com uma votação expressiva e a expectativa de transformar esse apoio em atuação pela população maranhense.

Eleito pelo MDB, advogado e ex-secretário de Saúde agradeceu aos eleitores e reafirmou o compromisso de “cuidar” do Maranhão.

O dono dos mais de 66 mil votos 

Uma promessa feita durante a campanha começou a ganhar forma neste domingo (4). Tiago Fernandes foi eleito deputado estadual pelo MDB, com 66.500 votos, e está entre os 42 parlamentares que vão compor a Assembleia Legislativa do Maranhão a partir de 2027.

Advogado e ex-secretário de Estado da Saúde, Tiago celebrou o resultado nas redes sociais. Na mensagem, agradeceu aos eleitores e às pessoas que caminharam com ele durante a campanha.

“Eu disse que não chegaria sozinho à Assembleia Legislativa. E hoje, graças a Deus e à confiança de vocês, essa promessa começa a se cumprir!”

O deputado eleito também falou sobre o que pretende fazer com a confiança recebida: transformá-la em trabalho pelo estado.

“Vocês me deram a confiança. Agora, é minha vez de retribuir com ainda mais trabalho pelo Maranhão!”

Ao encerrar a mensagem, resumiu em poucas palavras o compromisso que marcou sua trajetória profissional e que agora acompanha sua chegada à vida parlamentar: “Cuidar é compromisso. E o nosso continua!”

A campanha terminou. A partir de 2027, começa uma nova etapa e será no trabalho pela população que essa promessa seguirá sendo acompanhada.

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  • Mônica

    Mônica Alves

    O blog Mônica Alves é um veículo de comunicação virtual, que vai informar, sugerir e analisar assuntos políticos, bastidores e comportamentos variados do estado do Maranhão e do Brasil.

    Ao criar essa página, quero contribuir e levantar questionamentos subjetivos dos mais simples aos que ganham grandes espaços de notoriedade, além de dar espaço à boas histórias, com personagens e lugares que serão (re) descobertos por meio de relatos em viagens, festividades culturais e visitas etnográficas, mas que nem sempre têm a oportunidade do destaque merecido.